Archive for the ':: Mikhail Naimy' Category

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mirdad

essencial

Velados estão vossos olhos com grande número de véus. Cada coisa sobre a qual lançais vosso olhar é um véu. Selados estão vossos lábios com grande número de selos. Cada palavra que pronunciais é um selo.
As coisas, sejam quais forem as suas formas e espécies, são somente véus e ataduras com que a Vida está atada e velada. Como poderão os vossos olhos, que são em si mesmo um véu e uma atadura, levar-vos a algo que não seja às ataduras e véus?
E as palavras? Não são elas seladas por letras e sílabas? Como poderão os vossos lábios, que são em si mesmo selos, balbuciar algo que não seja selo?

Os olhos podem velar, porém não podem penetrar os véus.

Os lábios podem selar, porém não podem quebrar os selos.

Não lhes peçam nada mais do que eles podem dar. Essa é a parte que lhes toca na atividade do corpo e eles bem a desempenham. Para penetrardes além dos véus necessitais de olhos outros que não aqueles dotados de pálpebras e sobrancelhas, e para quebrar os selos precisais de outros lábios que não aqueles de carne. Vede, em primeiro lugar, corretamente, os vossos olhos, se quiseres ver corretamente as outras coisas. Se não virdes e não falares corretamente, nada mais vereis senão a vós mesmos e nada mais pronunciareis senão a vós mesmos. Se, pois, vosso mundo é um enigma indecifrável, é porque vós mesmos sois enigmas indecifráveis. E se o vosso falar é uma deplorável confusão, é porque sois essa deplorável confusão.

Deixai as coisas como elas são e não vos esforceis para modificá-las. Porque elas parecem ser o que parecem devido a vós parecerdes o que pareceis. Se elas vos falarem asperamente, atentai para vossas línguas. Se vos parecem feias, procurai a fealdade, em primeiro e último lugar, nos vossos próprios olhos. Não deveis pedir às coisas que se dispam dos seus véus. Tirai vós próprios os vossos véus, e elas perderão os seus.

Mikhail Naimy em Livro de Mirdad

jesus

milky way

Evitai o demasiado falar. Em cada mil palavras pronunciadas, pode ser que haja uma, somente uma, que, em verdade, necessita ser pronunciada. As restantes só nublam a mente, entopem o ouvido, irritam a língua e também cegam o coração. Como é difícil dizer a palavra que realmente deve ser dita! Em cada mil palavras escritas, pode ser que haja uma, somente uma, em verdade, que necessita ser escrita.  As restantes são tinta e papel desperdiçados e minutos aos quais se deu pés de chumbo em vez de asas de luz.

Livro de Mirdad | Mikhail Naimy

Reflexão (: Lindíssimo

deus

Deus não vos dotou de nenhuma fração de si – pois ele é indivisível; – mas de toda sua divindade, indivisível, impronunciável.

Ele vos dotou a vós todos. Que maior herança podeis vós aspirar? E quem ou o que vos impede de vos apossardes dela senão a vossa própria timidez e cegueira?

E em vez de serem gratos por essa herança e em vez de procurarem os meios de tomarem posse dela, alguns homens – cegos e ingratos – fazem de Deus uma espécie de quarto de despejo ao qual levam suas dores de dentes e de barriga, seus prejuízos nos negócios, suas brigas, suas vinganças e suas noites de insônia.
Enquanto outros fazem de Deus sua casa do tesouro onde esperam encontrar o que desejam, toda vez que cobiçam a posse de todos os pechisbeques deste mundo.

Há ainda outros que fazem de Deus uma espécie de seu guarda-livros particular. Pretendem que Deus deva não só manter em dia as contas de suas dívidas, mas também cobre o que lhes é devido, conseguindo sempre um grande saldo em favor deles.

Sim, são muitas e diversas as tarefas que os homens exigem de Deus. No entanto, poucos se lembram de que se isso estivesse a cargo de Deus, ele as executaria sozinho e não precisaria de homem algum para incitá-Lo a fazê-las ou Lhas recordar.

Por acaso relembrais a Deus das horas em que deve nascer o sol ou pôr-se a lua?
Lembrais a Deus de fazer brotar da terra o grão de milho naquele campo?
Tendes que lembrá-Lo para que aquela aranha acolá teça a sua teia?
Precisais lembrá-Lo dos filhotes do pardal naquele ninho ali?
Por acaso tendes de lembrá-Lo das inúmeras coisas que enchem este infinito universo?
Por que fazeis pressão, com vossos insignificantes seres, em Sua memória? Sois menos favorecidos em Sua vista do que os pardais, o milho e as aranhas? Por que, como eles, não recebeis os vossos presentes e não vos ocupais com vossas tarefas sem muito alarido, sem dobramentos de joelhos, e extensão de braços e sem ficardes ansiosos a espiar o amanhã?

E onde está Deus para que preciseis gritar nos seus ouvidos os vossos caprichos e as vossas vaidades, vossos louvores, vossas queixas? Não está ele em vós e em tudo ao redor de vós?
Não está o Seu ouvido muito mais próximo de vossa boca do que o está vossa língua do vosso céu da boca?
Basta a Deus sua divindade, da qual tendes a semente.
Se Deus, tendo-vos dado a semente de Sua divindade, tivesse que cuidar dela ao invés de vós, qual seria a vossa virtude? E qual será o trabalho de vossa vida? E se vós não tiverdes trabalha algum a executar, mas Deus precisar executá-lo para vós, que sentido terá, então, a vossa vida? E de que valerão todas as vossas preces?

Não leveis a Deus as vossas inúmeras preocupações e esperanças. Não Lhe peçais para abrir as portas das quais Ele vos deu as chaves. Mas buscai-as na vastidão de vossos corações, pois na vastidão do coração se encontra a chave de todas as portas. E na vastidão do coração estão todas as coisas pelas quais tendes sede e fome, sejam do bem ou do mal!

Um poderoso exército aguarda o vosso chamado e atenderá imediatamente ao vosso mais leve apelo. Quando devidamente equipado, sabiamente disciplinado e corajosamente comandado, poderá saltar eternidades e destruir todas as barreiras que se opuserem ao seu ideal. Quando mal equipado, indisciplinado e timidamente comandado, ele ficará vagando inutilmente ou se retirará com rapidez diante do menor obstáculo, arrastando atrás de si a mais negra derrota.
E não é outro, esse exército, ó monges que aqueles diminutos corpúsculos vermelhos que estão agora, silenciosamente, a circular em vossas veias; cada um deles um milagre de força, cada um deles um registro completo e exato de toda vossa vida e de toda Vida, nos seus mais ínfimos pormenores.

É no coração que este exército se reúne, pois o coração é que faz o seu treinamento. Eis porque é o coração tão famoso e tão reverenciado. Dele brotam as vossas lágrimas de alegria e de tristeza. A ele acorrem os vossos temores da Vida e da Morte. Vossos anseios e vossos desejos são o equipamento deste exército. Vossa Mente é que o disciplina. Vossa Vontade, seu instrutor e comandante.”

Mikhail Naimy

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O Amor não é uma virtude. O Amor é uma necessidade; mais do que pão e água; mais do que luz e ar. Que ninguém se orgulhe de amar. Ao contrário, inalai e exalai o Amor tão inconsciente e livremente como inspirais e expirais o ar. Porque o Amor não precisa que ninguém o exalte. O Amor exaltará o coração que considerar digno de si.

Não busqueis recompensa pelo Amor. O Amor é, em si mesmo, recompensa suficiente para o Amor, assim como o Ódio é, em si mesmo, castigo bastante para o Ódio.

Não mantenhais controle sobre o Amor, pois o Amor não presta contas senão a si mesmo.

O Amor não empresta nem pode ser emprestado; o Amor não compra nem vende; mas quando dá, ele se dá por inteiro; e quando toma, toma por inteiro. Na verdade, ao arrebatar ele dá. E é dando que ele arrebata. Consequentemente é o mesmo hoje, amanhã e para todo sempre. Assim como um rio caudaloso que deságua no mar é reabastecido pelo mar, assim deveis esvaziar-vos no Amor para que sejais para sempre preenchidos de Amor. O lago que retém o presente que o mar lhe dá torna-se poça de água estagnada.

Mikhail Naimy | Livro de Mirdad

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O Verbo é o oceano, vós, as nuvens. E uma nuvem seria nuvem sem o oceano que ela contém? Na verdade seria tola a nuvem que desperdiçasse sua vida esforçando-se para firmar-se no espaço, tentando manter sua forma e sua identidade. O que colheria ela desse esforço tão tolo, senão desilusões e amarga vaidade? A não ser que se perca, não poderá achar-se. A não ser que morra e desapareça como nuvem, não poderá encontrar o oceano em si mesma, o qual é seu único ser.

Uma nuvem portadora de Deus é o Homem. A não ser que ele esvazie a si mesmo, não poderá encontrar-se. Ah, a alegria de estar vazio! A não ser que vos percais para sempre no Verbo, não podereis compreender o verbo que sois – nem mesmo o vosso eu. Ah, a alegria de se perder!

Mais uma vez vos digo: orai por Compreensão. Quando a Sagrada Compreensão encontrar vosso coração, nada haverá, na imensidão de Deus, que não vibre para vós uma alegre resposta todas as vezes que pronunciares eu.

Então, a própria Morte será em vossas mãos apenas uma arma com a qual vencereis a Morte. E a Vida concederá a vosso coração a chave de seu coração ilimitado, a chave áurea do Amor.

Mikhail Naimy | Mirdad

Recomendo :: Livro de Mirdad | Mikhail Naimy

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Uma das mais antigas e conceituadas empresas editoras de Londres, à qual foi entregue, em primeiro lugar, o manuscrito deste livro, enviou a Mikhail Naimy uma carta na qual dizia o seguinte:
“Desde que V. Sa. nos enviou o manuscrito de “O Livro de Mirdad” temos recebidos cuidadosos relatórios sobre ele, da parte de nossos conselheiros literários e embora, naturalmente, as opiniões sejam confidenciais, podemos dizer-lhe que expressam a admiração pela sua sinceridade e devoção; mas resalvam… que este livro representa tal modificação do dogma cristão comum, que, poder-se-ia dizer, seria necessário fundar uma nova igreja na comunidade inglesa, para que houvesse possibilidade de ser vendido em quantidade que compensasse a sua publicação.”
“… somos-lhe gratos por nos ter dado, em primero lugar, a oportunidade de ver um livro tão fora do comum.”
Citamos agora parte da resposta de M. Naimy:
“É absolutamente verdadeiro que o livro se desvia do dogma cristão comum. E se desvia também de todos os dogmas estabelecidos sejam eles religiosos, filosóficos, políticos ou de qualquer espécie. E por que há de ser um dogma assim tão sagrado e imutável? Poderá algum dia a Verdade ser encerrada em determinadas palavras e nenhuma outra? É exatamente nisso que está a razão de ser deste livro…”

mirdad

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Não há em minha boca julgamento, e sim a Sagrada Compreensão. Não vim para julgar o mundo, mas para desjulgá-lo, pois só a Ignorância gosta de trajar toga e peruca, propor leis e aplicar penas.
Digo-vos: não há Deus e homem, mas sim Deus-Homem ou Homem-Deus. Existe o Um. Não obstante  multiplicado, não obstante dividido, é eternamente Um.
A unicidade de Deus é a eterna Lei de Deus. Trata-se de uma lei que faz cumprir, não necessitando nem corte nem juizes para ser amplamente promulgada ou para preservar sua dignidade e força. O Universo – o que é visível dele e o que é invisível – é uma só boca a proclamá-lá para os que tem ouvidos para ouvir.

O livro de Mirdad | Mikhail Naimy


Criado em 19 JUL 08

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